A escolha do regime tributário é, provavelmente, a decisão que mais influencia quanto a sua empresa paga de imposto ao longo do ano — e muita gente a toma no automático, no dia da abertura, e nunca mais revisa. Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real não são "melhor" ou "pior" em abstrato: cada um é vantajoso para um perfil de negócio, e o mesmo CNPJ pode economizar em um regime e perder dinheiro em outro.
Neste guia, você vai entender o que é cada regime, quais critérios usar para escolher, quando cada um vale a pena, as vantagens e desvantagens de cada, os erros mais caros na hora de decidir e como (e quando) trocar de enquadramento. A ideia é que, ao final, você saiba exatamente quais perguntas fazer ao seu contador — e por que a resposta nunca é "chute", e sim simulação.
Resposta rápida: Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real são as três formas de a empresa calcular e pagar seus impostos. O Simples unifica tributos em uma guia e simplifica a burocracia; o Presumido cobra parte dos impostos sobre uma margem presumida por lei; o Real cobra sobre o lucro contábil efetivo. Não existe o mais barato universal: o regime ideal depende de faturamento, margem, atividade, folha e créditos — e só uma simulação comparativa com os números reais revela qual paga menos no seu caso.
Nota (2026): Tabelas e alíquotas vigentes em 2026 (LC 123); a Reforma Tributária altera a partilha na transição 2026–2033.
Resumo executivo
- O que é: regime tributário é o conjunto de regras que define quais tributos a empresa paga, sobre qual base e como recolhe.
- Os três regimes: Simples Nacional (unificado e simplificado), Lucro Presumido (base presumida por lei) e Lucro Real (base é o lucro efetivo).
- Critérios de escolha: faturamento, margem de lucro, atividade, peso da folha de pagamento, créditos aproveitáveis e planos de crescimento.
- Mito a derrubar: "o Simples é sempre mais barato" — nem sempre é; depende do cruzamento dos critérios acima.
- Como decidir: simulação comparativa com números reais, não achismo. É o coração do planejamento tributário.
- Quando revisar: ao menos uma vez por ano, antes do início do exercício, e sempre que o negócio mudar de patamar.
- Regra de ouro: a escolha certa é a que paga menos imposto dentro da lei, considerando também o custo das obrigações acessórias.
O que é regime tributário
Regime tributário é o conjunto de regras que determina como a empresa calcula e paga seus impostos. Ele define quais tributos incidem, sobre qual base de cálculo e de que forma são recolhidos. No Brasil, os três regimes mais usados por empresas são o Simples Nacional, o Lucro Presumido e o Lucro Real.
Explicação simples
Pense no regime tributário como o "plano" que você escolhe para pagar os impostos da empresa — mais ou menos como escolher um plano de telefonia. Existe o plano simplificado, com uma conta única e menos letras miúdas (Simples). Existe o plano em que você paga com base numa estimativa fixa de consumo, mesmo que use menos (Presumido). E existe o plano em que você paga exatamente pelo que consumiu, medido com precisão, em troca de mais controles e comprovações (Real). Nenhum é o melhor para todo mundo: depende do seu perfil de uso — no caso, o perfil do seu negócio.
Explicação técnica
O regime tributário define a base de cálculo e a sistemática de apuração dos tributos da empresa, especialmente daqueles que incidem sobre a receita e sobre o resultado. No Simples Nacional, há recolhimento unificado de vários tributos em documento único, com valor apurado a partir do faturamento e da atividade. No Lucro Presumido, aplica-se uma presunção legal de margem sobre a receita para chegar à base de alguns tributos sobre o resultado. No Lucro Real, a base é o lucro contábil ajustado por adições e exclusões previstas na legislação. Cada regime carrega um pacote próprio de obrigações acessórias, alíquotas e possibilidades de crédito — e é o conjunto, não só a alíquota, que determina a carga efetiva.
A escolha certa depende de fatores como faturamento, margem de lucro, atividade, folha de pagamento e planos de crescimento — e uma decisão bem-feita pode representar uma economia expressiva ao longo do ano, totalmente dentro da lei. Esse é o terreno do planejamento tributário.
Simples Nacional: o regime unificado
O Simples Nacional é um regime simplificado, criado para favorecer micro e pequenas empresas. Sua marca registrada é a unificação de vários tributos em uma única guia de arrecadação, o que reduz a complexidade do dia a dia fiscal. Se quiser aprofundar só neste regime, veja o guia dedicado ao Simples Nacional.
Como funciona
Os tributos são recolhidos de forma unificada, e o valor a pagar é apurado a partir do faturamento e da atividade da empresa. As atividades são distribuídas em anexos, cada um com sua tabela de alíquotas, que crescem por faixas conforme o faturamento aumenta. Os anexos, as faixas e as alíquotas são definidos em lei e são periodicamente revisados — por isso, o enquadramento exato deve ser confirmado com o contador para o exercício vigente.
Um ponto técnico decisivo nesse regime é o Fator R: para determinadas atividades (sobretudo de serviços), a proporção entre a folha de pagamento e o faturamento define o anexo aplicável — quando o Fator R (folha ÷ RBT12) atinge 28%, a atividade vai para o Anexo III (geralmente mais leve); abaixo de 28%, para o Anexo V. Em termos práticos, empresas de serviços com folha relevante em relação à receita podem se beneficiar de uma tributação mais leve — mas isso precisa ser calculado caso a caso.
Vantagens
- Menos burocracia: menos obrigações acessórias e recolhimento concentrado em guia única.
- Simplicidade de gestão: fluxo fiscal mais previsível, adequado a quem não tem estrutura interna robusta.
- Potencial economia para serviços com folha alta: via Fator R, certas atividades podem cair em anexo mais vantajoso.
- Recolhimento concentrado: vários tributos pagos de uma vez, reduzindo o risco de esquecimento.
Desvantagens e limitações
- Teto de faturamento: para permanecer no Simples, a receita bruta anual deve ficar até R$ 4.800.000,00 (limite de EPP em 2026); ME é até R$ 360.000,00.
- Atividades impedidas: algumas atividades não podem aderir ao regime.
- Nem sempre o mais barato: dependendo da margem, da atividade e do peso da folha, outro regime pode gerar carga menor.
- Sublimites e detalhes por atividade: acima de R$ 3.600.000,00 de RBT12, o ICMS e o ISS passam a ser recolhidos por fora do DAS — além de outras regras específicas que exigem análise técnica.
Lucro Presumido: a base estimada por lei
No Lucro Presumido, o Fisco "presume" uma margem de lucro sobre o faturamento e cobra parte dos impostos sobre essa base presumida, independentemente do lucro efetivo da empresa. É um regime intermediário em complexidade entre o Simples e o Real.
Como funciona
Aplica-se um percentual de presunção sobre a receita para chegar à base de cálculo de alguns tributos sobre o resultado. Esse percentual varia conforme a atividade e é definido em lei. Sobre outras frentes tributárias, a apuração segue regras próprias do regime. O ponto central: a empresa paga como se tivesse lucrado a margem presumida, mesmo que na prática tenha lucrado mais — ou menos.
Isso cria uma lógica clara. Se a margem real da empresa é maior que a presumida, o Presumido tende a ser vantajoso, porque ela paga imposto sobre uma base menor do que o lucro que de fato teve. Se a margem real é menor que a presumida, o regime tende a ser desvantajoso, porque a empresa paga sobre um lucro que não existiu.
Vantagens
- Vantajoso para margens altas: quando o lucro real supera o presumido, a base de cálculo fica "congelada" na presunção, favorecendo o negócio.
- Menos complexo que o Lucro Real: exige menos da estrutura contábil do que a apuração pelo lucro efetivo.
- Previsibilidade: a base sobre a receita é mais fácil de estimar, ajudando no planejamento de caixa.
- Alternativa ao Simples: atende empresas que ultrapassam o teto do Simples ou exercem atividades impedidas nele.
Desvantagens e limitações
- Limite de faturamento: há um teto de receita para poder optar, definido em lei.
- Paga mesmo com margem baixa: como a base é presumida, empresas com lucro real menor que o presumido pagam a mais.
- Ineficiente no prejuízo: parte dos tributos incide sobre a presunção, então prejuízo não reduz automaticamente toda a conta.
- Mais obrigações que o Simples: o pacote de obrigações acessórias é maior.
Lucro Real: a base é o lucro efetivo
No Lucro Real, os impostos sobre o resultado incidem sobre o lucro efetivo da empresa, apurado a partir da contabilidade — receitas menos despesas dedutíveis, com os ajustes previstos em lei. É o regime mais preciso e, ao mesmo tempo, o mais exigente.
Como funciona
A base de cálculo é o lucro contábil ajustado. Se a empresa lucra pouco, paga pouco sobre o resultado; se tem prejuízo, tende a não pagar os tributos que incidem sobre o lucro naquele período — e, em determinadas situações, pode compensar prejuízos de períodos anteriores conforme a legislação. Em contrapartida, certas frentes tributárias no Lucro Real operam em uma sistemática que permite o aproveitamento de créditos sobre insumos e despesas, o que pode ser muito relevante para alguns perfis de negócio.
Vale lembrar que o Lucro Real é obrigatório para determinados tipos de empresa e faixas de faturamento — as hipóteses de obrigatoriedade são definidas em lei e devem ser verificadas para o caso concreto. Ou seja, para parte das empresas, não se trata de escolha, e sim de enquadramento compulsório.
Vantagens
- Justo para margem baixa ou prejuízo: paga sobre o lucro que realmente existiu, não sobre uma presunção.
- Aproveitamento de créditos: em determinadas situações, permite abater créditos sobre insumos e despesas.
- Precisão: reflete a realidade econômica da empresa, útil em operações complexas ou de margem apertada.
- Compensação de prejuízos: prejuízos podem ser aproveitados conforme as regras vigentes.
Desvantagens e limitações
- Complexidade: exige contabilidade rigorosa, bem organizada e tempestiva.
- Mais obrigações acessórias: o volume de declarações e controles é o maior dos três regimes.
- Custo de conformidade: demanda estrutura ou assessoria contábil mais robusta.
- Menos previsível: a conta acompanha o resultado, que oscila mês a mês.
Tabela comparativa: Simples x Presumido x Real
O quadro abaixo resume os critérios que realmente importam na comparação. Note que ele descreve o comportamento de cada regime frente a cada critério — os valores, percentuais e limites variam por lei e devem ser confirmados para o exercício vigente.
| Critério | Simples Nacional | Lucro Presumido | Lucro Real |
|---|---|---|---|
| Base de cálculo | Faturamento (por anexo/atividade) | Margem presumida por lei sobre a receita | Lucro contábil efetivo ajustado |
| Perfil de faturamento | Micro e pequeno porte (há teto) | Porte intermediário (há teto) | Sem teto; obrigatório em certas hipóteses |
| Margem de lucro ideal | Varia conforme atividade e folha | Favorece margens altas | Favorece margens baixas ou prejuízo |
| Peso da folha | Muito relevante (Fator R) | Menos determinante | Impacta via despesas dedutíveis |
| Aproveitamento de créditos | Em regra, não | Limitado | Possível em determinadas situações |
| Burocracia / obrigações | Menor | Intermediária | Maior |
| Previsibilidade da conta | Alta | Alta | Menor (acompanha o resultado) |
| Empresa no prejuízo | Recolhe conforme faturamento | Pode pagar sobre presunção | Tende a pagar menos sobre o lucro |
| Exige contabilidade robusta | Menos | Intermediário | Sim, rigorosa |
| Melhor cenário | Pequeno porte, serviço com folha alta | Margem real acima da presumida | Margem apertada, muitos créditos, grande porte |
Não sabe em qual coluna a sua empresa se encaixa? Fale com a SC e peça uma simulação comparativa dos três regimes com os números reais do seu negócio.
Os critérios de escolha, um a um
Não existe regime universalmente melhor. A escolha nasce de uma análise que cruza vários fatores — e ignorar qualquer um deles distorce a conclusão.
1. Faturamento
O faturamento é o primeiro filtro: ele define quais regimes são possíveis. Simples e Presumido têm tetos de receita; acima deles, a empresa migra para o Lucro Real, que também é obrigatório em certas hipóteses. Antes de comparar carga tributária, é preciso saber quais regimes estão, de fato, na mesa para o seu porte.
2. Margem de lucro
Talvez o critério mais decisivo entre Presumido e Real. Margem alta (lucro real acima da margem que a lei presume) tende a favorecer o Presumido, porque a empresa paga sobre uma base menor do que lucrou. Margem baixa ou prejuízo tende a favorecer o Real, porque a conta acompanha o resultado efetivo. Empresas de margem apertada que ficam no Presumido por inércia costumam pagar imposto sobre um lucro que nunca tiveram.
3. Atividade
A atividade influencia tudo: define o anexo no Simples, o percentual de presunção no Presumido e a sistemática de créditos no Real. Algumas atividades são impedidas em determinados regimes; outras têm regras específicas. Por isso a definição correta do CNAE e das atividades exercidas é pré-requisito de qualquer análise tributária séria.
4. Folha de pagamento
O peso da folha em relação ao faturamento pesa especialmente no Simples, por causa do Fator R, que pode reposicionar a atividade em um anexo mais vantajoso. No Lucro Real, a folha entra como despesa dedutível, reduzindo o lucro tributável. Empresas intensivas em mão de obra precisam olhar esse critério com atenção redobrada.
5. Créditos e insumos
Negócios com muitos insumos, despesas relevantes e cadeia de fornecedores robusta podem ter no aproveitamento de créditos um diferencial importante — algo mais presente no Lucro Real. Ignorar créditos aproveitáveis é deixar dinheiro na mesa.
6. Planos de crescimento
Uma empresa que vai crescer rápido precisa pensar no regime de amanhã, não só no de hoje. Optar por um regime confortável agora, mas que estoura o teto em poucos meses, gera transição no meio do ano e retrabalho. O planejamento tributário é, também, planejamento de trajetória.
Quando cada regime costuma valer a pena
Com os critérios em mãos, dá para desenhar os cenários típicos — sempre lembrando que o caso concreto pode fugir do padrão e só a simulação confirma.
- Simples Nacional costuma valer a pena para micro e pequenas empresas que estão dentro do teto, valorizam a simplicidade e, no caso de serviços, têm folha de pagamento relevante em relação ao faturamento (Fator R favorável).
- Lucro Presumido costuma valer a pena para empresas de porte intermediário com margem de lucro alta, que já passaram do teto do Simples ou exercem atividade impedida nele, e que buscam previsibilidade sem a complexidade do Real.
- Lucro Real costuma valer a pena — ou é obrigatório — para empresas de margem apertada ou em prejuízo, negócios que aproveitam muitos créditos, operações de maior porte e casos em que a lei exige o enquadramento.
O erro clássico é escolher achando que o "Simples é sempre mais barato". Nem sempre é. Uma empresa de serviços com folha pequena e margem alta pode pagar mais no Simples do que pagaria no Presumido, por exemplo. Só a simulação comparativa revela a verdade dos números.
O papel da simulação tributária
Se há uma mensagem para levar deste guia, é esta: a escolha do regime é um cálculo, não um palpite. A simulação tributária consiste em projetar a carga de cada regime usando os números reais da empresa — faturamento, margem, folha, despesas, créditos e atividade — e comparar o resultado final, incluindo o custo das obrigações acessórias.
É essa simulação que transforma a decisão de "achismo" em estratégia. Ela mostra, em reais, quanto a empresa pagaria em cada cenário e quanto pode economizar ao escolher o enquadramento certo, dentro da lei. É o coração de um bom planejamento tributário — e o que separa uma empresa que paga o imposto certo de outra que paga a mais por anos sem perceber.
A simulação também expõe algo que muitos empresários descobrem tarde: o regime ideal muda com o tempo. O que era ótimo na abertura pode virar caro depois de um salto de faturamento, da entrada em uma nova atividade ou de uma queda de margem.
Está pagando imposto no automático desde que abriu a empresa? É exatamente aí que mora o dinheiro deixado na mesa. Peça um diagnóstico à SC e descubra se o seu regime ainda é o mais vantajoso.
Vantagens e desvantagens: os três lados
Contabilidade séria mostra os trade-offs de cada caminho. Nenhum regime é só benefício.
Simples Nacional — Vantagens: menos burocracia, guia única, potencial economia via Fator R para serviços com folha alta. Desvantagens: teto de faturamento, atividades impedidas, nem sempre é o mais barato.
Lucro Presumido — Vantagens: ótimo para margens altas, menos complexo que o Real, previsível. Desvantagens: teto de faturamento, paga sobre presunção mesmo com margem baixa, ineficiente no prejuízo.
Lucro Real — Vantagens: justo para margens baixas e prejuízo, aproveita créditos, compensa prejuízos. Desvantagens: complexidade, mais obrigações acessórias, maior custo de conformidade.
A conclusão prática: a "melhor" escolha é a que, para o seu perfil, gera a menor carga total (tributos + custo de conformidade) dentro da lei — e isso muda de empresa para empresa e de ano para ano.
Como escolher o regime em Goiânia e Goiás
Para as empresas de Goiânia e região, a escolha do regime tem um componente prático que costuma ser subestimado: contar com um contador por perto, que conhece a realidade do comércio, dos serviços e da indústria local e acompanha a rotina do negócio de perto. Muitas empresas goianas herdam o regime da abertura e seguem anos sem revisão, pagando mais imposto do que precisariam — simplesmente porque ninguém sentou para simular.
A SC Organização Contábil atende empresas de Goiânia e região unindo contabilidade e assessoria tributária sob o mesmo teto, o que permite revisar o enquadramento com os números reais em mãos e recomendar o regime mais vantajoso para cada exercício. Se a sua empresa está sendo aberta agora, essa análise já entra no momento de abrir a empresa e definir o CNAE; se já está em operação, entra na revisão anual do regime.
Dá para trocar de regime? Como funciona
Sim, é possível trocar de regime. A opção costuma ser feita no início do exercício e vale, em regra, para o ano todo. Os prazos e as condições de opção e de mudança são definidos em lei e mudam a cada exercício — por isso, o momento de revisar o enquadramento é sempre antes do início do período, com tempo para simular e decidir.
O caminho saudável é este:
- Reúna os números reais do negócio (faturamento, margem, folha, despesas, créditos, atividade).
- Simule os regimes possíveis para o seu porte e atividade, com apoio do contador.
- Compare a carga total, incluindo o custo das obrigações acessórias de cada regime.
- Decida antes do prazo de opção do exercício, respeitando as regras vigentes.
- Reavalie todo ano — a decisão certa hoje pode não ser a certa no próximo exercício.
Reavaliar o enquadramento uma vez por ano deixou de ser luxo e virou parte de uma boa gestão tributária. É barato simular e caro pagar imposto a mais por doze meses.
Erros comuns na escolha do regime
- Achar que "Simples é sempre mais barato". É o erro mais caro e mais comum. Depende de margem, atividade e folha.
- Nunca revisar o regime. Escolher na abertura e nunca mais olhar faz a empresa pagar a mais quando o perfil muda.
- Ignorar a margem de lucro. É o critério que mais decide entre Presumido e Real — e o mais esquecido.
- Esquecer o custo das obrigações acessórias. Um regime com alíquota atraente pode sair caro se o custo de conformidade for alto.
- Não considerar o Fator R. Empresas de serviço com folha relevante deixam economia na mesa quando ignoram esse detalhe.
- Decidir sem simulação. Escolher regime no palpite é apostar dinheiro sem ver as cartas.
- Não pensar no crescimento. Optar por um regime que estoura o teto em poucos meses gera transição e retrabalho.
- Definir a atividade errada. Um CNAE mal escolhido distorce toda a análise tributária a partir da origem.
Checklist: seu regime tributário está otimizado?
Marque mentalmente quantos itens se aplicam à sua empresa:
- Já fiz (ou tenho) uma simulação comparativa dos três regimes com meus números reais.
- Sei qual é a margem de lucro real do meu negócio.
- Sei se a minha atividade tem impedimento ou regra específica em algum regime.
- Considerei o peso da folha de pagamento (e o Fator R, se for serviço).
- Avaliei se há créditos aproveitáveis que favoreçam o Lucro Real.
- Revisei o regime antes do início do exercício atual.
- Levei em conta meus planos de crescimento para os próximos meses.
- Comparei não só as alíquotas, mas o custo total de cada regime (tributos + obrigações).
Deixou vários itens em branco? É um forte sinal de que vale a pena sentar com um contador e simular — pode haver economia legal esperando para ser capturada.
Glossário rápido
- Regime tributário: conjunto de regras que define como a empresa calcula e paga seus impostos.
- Simples Nacional: regime unificado e simplificado para micro e pequenas empresas, com recolhimento em guia única.
- Lucro Presumido: regime em que parte dos impostos incide sobre uma margem de lucro presumida por lei.
- Lucro Real: regime em que os impostos sobre o resultado incidem sobre o lucro contábil efetivo.
- Anexo (Simples): agrupamento de atividades no Simples, cada um com sua tabela de alíquotas por faixa de faturamento.
- Fator R: relação entre folha de pagamento e faturamento que pode alterar o anexo (e a alíquota) de certas atividades no Simples.
- Margem de lucro: proporção entre o lucro e a receita; critério central na comparação entre Presumido e Real.
- Presunção de lucro: margem que a lei assume sobre a receita para calcular a base de alguns tributos no Presumido.
- Créditos tributários: valores que, em certas situações, podem ser abatidos da conta de impostos (mais presentes no Real).
- Obrigações acessórias: declarações e controles exigidos pelo Fisco, além do pagamento do tributo em si.
- Exercício: período (em regra, o ano) ao qual a opção pelo regime se aplica.
Perguntas frequentes
Qual regime tributário paga menos imposto?
Não existe um regime universalmente mais barato. O que paga menos depende de faturamento, margem de lucro, atividade, folha de pagamento e créditos aproveitáveis. A única forma de saber é uma simulação comparativa com os números reais da empresa: o mesmo negócio pode economizar no Simples, no Presumido ou no Real dependendo desse cruzamento.
Qual a diferença entre Simples, Presumido e Real?
O Simples Nacional unifica vários tributos em uma guia única e simplifica obrigações, sendo voltado a micro e pequenas empresas. O Lucro Presumido calcula parte dos impostos sobre uma margem presumida por lei, independentemente do lucro efetivo. O Lucro Real calcula os impostos sobre o lucro contábil real (receitas menos despesas dedutíveis), sendo o mais preciso e o mais exigente em obrigações.
O Simples Nacional é sempre a melhor escolha para pequenas empresas?
Não. O Simples reduz burocracia e costuma ser vantajoso para muitos pequenos negócios, mas dependendo da atividade, da margem e do peso da folha, o Lucro Presumido ou o Lucro Real podem gerar carga tributária menor. É um mito que o Simples é sempre o mais barato — só a comparação numérica confirma.
Com que frequência devo revisar o regime tributário?
Idealmente uma vez por ano, antes do início do exercício, quando normalmente é possível optar por outro regime. Também vale revisar sempre que houver mudança relevante no negócio — salto de faturamento, nova atividade, variação de margem ou mudança no tamanho da folha. Regras e prazos de opção mudam a cada exercício, então confirme os vigentes com a SC.
Empresa no prejuízo paga imposto?
Depende do regime. No Lucro Presumido, alguns tributos incidem sobre uma margem presumida da receita, então a empresa pode pagar mesmo tendo prejuízo. No Lucro Real, os tributos sobre o lucro incidem sobre o resultado efetivo, então uma empresa sem lucro tende a recolher menos nesses tributos. Por isso margens baixas e prejuízos costumam favorecer o Lucro Real.
Preciso de contador para escolher o regime tributário?
Sim. A relação entre regime, atividade, anexos, presunções, créditos e obrigações é técnica e muda com frequência. A escolha errada custa caro e costuma passar despercebida por um exercício inteiro. Um contador simula os cenários com seus números reais e recomenda o enquadramento mais vantajoso dentro da lei.
Conclusão
Escolher entre Simples, Presumido ou Real não é decorar qual é "o melhor" — é entender que cada regime foi desenhado para um perfil de empresa e descobrir, com números reais, qual se encaixa no seu. Faturamento define o que é possível; margem, atividade, folha e créditos definem o que é vantajoso; e a simulação transforma tudo isso em uma decisão segura, que paga o imposto certo dentro da lei.
O maior erro não é escolher o regime "errado" na abertura — é nunca mais revisar. O perfil da empresa muda, a legislação muda, e o enquadramento que era ideal ontem pode custar caro hoje. Revisar o regime todo ano, antes do início do exercício, é uma das formas mais baratas e mais eficazes de proteger a margem do negócio.
Como as regras, os limites, os percentuais e os prazos mudam a cada exercício, o caminho seguro é fazer essa análise com um contador que conheça a sua realidade — e refazê-la periodicamente.
Valores, alíquotas, limites e prazos mudam a cada exercício — confirme os vigentes com a SC antes de decidir.
Quer saber qual regime tributário faz a sua empresa pagar menos imposto dentro da lei? Fale com a SC Organização Contábil ou chame no WhatsApp e conte com nossa assessoria tributária para uma simulação comparativa dos três regimes com os números reais da sua empresa em Goiânia.



